Trilhando parte do Caminho do Peabiru. 4


O acesso à base do Monte Crista se dá por uma estrada de chão as margens da BR 101 em Garuva. A estrada em seu ponto final, chega no estacionamento, e de lá iniciamos a subida, já um pouco tarde para a atividade, eram quase 11h da manhã.

Logo no início passamos por uma ponte que é super legal e que amedronta muitas crianças e marmanjos, pois ela balança e muito! Mas, foca no rio, a água é tão cristalina que dá pra ver os vários peixinhos nadando tranquilamente lá embaixo.

Seguindo a trilha, passamos novamente pelo rio, mas dessa vez tendo que nos equilibrar entre as pedras. Ah, isso para uma criança é um convite e tanto para um banho gelado de água corrente!

Na ida não deixamos a Manu descer da mochila (apesar de sua insistência) pois sabíamos que ela iria se molhar, só levamos 01 muda de roupa reserva e ainda tínhamos todo o caminho pela frente, aí foi preciso bastante conversa para que ficasse na mochila até de fato pararmos.

A trilha (até a primeira clareira) é coberta por vegetação, o que facilita para que o solo fique úmido. Mas em um certo ponto é extremamente liso, chegando a ser perigoso, ainda mais com peso, minha mochila com uns 5kg e o Ale com 15Kg nas costas, sendo 12kg de uma criança!! Com o solo repleto de barro, o local se chama saboneteira, já devem imaginar o porquê do nome… pois bem, eu estava sem os bastões de caminhada, e minha bota literalmente dançava pra lá e pra cá, aí não teve como evitar a queda. Um tombo que me deixou alguns dias dolorida, mas nada demais (ainda bem, pois estávamos a pelos menos 01h do estacionamento).

Continuamos a subida, e pelo caminho nos deparamos com a famosa “escadaria dos jesuítas” que são escadas de pedras, em locais estratégicos, muito bem feitas por índios, há séculos atrás. É impossível nessa hora não ficar pensando na geniosidade e vontade de trabalhar destas pessoas, que, sem parafernálias tecnológicas criaram caminhos que até hoje nos beneficiam. A escadaria leva esse nome porque já foi utilizada por padres jesuítas. Esta trilha que percorremos, faz parte de uma rota de trilhas muito maior, chamada de “Caminho do Peabiru”, uma rota milenar que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, cruzando a América do Sul de Leste a Oeste. Fonte: http://www.garuva.sc.gov.br/turismo/item/detalhe/1964

Um local repleto de história!

Então, o objetivo era chegar até a clareira da trilha que dá acesso ao monte crista? E quem disse, Berenice?! Hahah

Nãooo, o objetivo agora é que a Manu curta, que seja legal pra ela também. De que adiantaria nós pais, subir e descer correndo, orgulhosos postando foto do cume, tendo ao lado uma criança que também tem vontades (e que bom que tem!) mas que não foi ouvida e está frustrada por não poder brincar na água ou com os galhos pelos quais a Manu é fascinada!!! Então não adiantaria levar pra trilha…

Pensando nisso, chegamos na primeira clareira que é um local lindo, com uma cachoeirinha, rio e espaço para descanso, e por ali ficamos. A Manu não via a hora de sair da mochila. Mesmo estando a 20min da clareira maior, decidimos que já era hora de pararmos um pouco e deixarmos ela curtir o local do seu jeito… começou molhando as mãozinhas, jogando pedrinhas no rio e quando vimos, já estava toda molhada. E levou muita gente na brincadeira pedindo para outros caminhantes que passavam pela trilha, jogarem pedras no rio…  Ela vibrava com o barulho que faziam, quanto maior a pedra, maior a alegria. E, como é impossível não sorrir com o sorriso de uma criança, fez a alegria dos adultos também.

Passado o momento folia, era hora de trocar de roupa para não se resfriar. Fizemos um super lanche com sanduiches, banana e salgadinho, arrumamos nossas coisas, recolhemos nosso lixo e o lixo ali “esquecido” e iniciamos a descida, até para não escurecermos na trilha. O retorno foi mais rápido, em torno de 1h e 30min. A Manu estava bem cansada, mas dormiu mesmo só quando ligamos o carro.

No total percorremos cerca de 8km em 4h. Ao final estávamos felizes e satisfeitos, com uma sensação de um domingo bem aproveitado!

Bom, a principal lição desta trilha, sem dúvida foi lembrar que o legal mesmo não é chegar ao topo feliz sozinho, mas poder compartilhar a alegria do caminho com aqueles que verdadeiramente amamos. Ver a felicidade no rosto de sua filha e saber que você também foi responsável por proporcionar este momento, te engrandece, te faz refletir seu propósito de vida nessa bela, mas desafiadora escolha: a de ser pai e mãe!

Sibele N. de Lima.


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