De mãe para mãe


Antes de ser mãe, não imaginava o quão desafiador seria essa nova jornada. Não importa o que as pessoas falam, só saberemos do que se trata quando tivermos a incrível e intensa experiência da maternidade.

Pensei que tudo seria mais fácil que continuaria trabalhando, fazendo pilates, aulas de inglês, praticando meus esportes e por aí vai… dizia: ela terá que se adaptar ao nosso ritmo e não o contrário.

Que ilusão!

Claro que cada mãe/mulher reage e vive de uma maneira, mas no nosso caso, optamos por abrir mão de algumas coisas para tentar estar mais próximo da nossa pessoinha. O apoio do meu marido foi de extrema importância, pois alguém tem que pagar todas as inúmeras contas.

Começamos a “colocar na balança” cada questão, até que ponto vale a pena, trabalhar fora para sequer conseguir pagar creche, roupas para creche, combustível, almoço fora todos os dias, diarista, remédios, consultas médicas e por aí vai… São muitos questionamentos.

Vendo pelo lado profissional e pessoal de nós mulheres, até que ponto vale a pena abandonar a carreira, o trabalho, o contato com o mundo externo. Afinal, estando somente em casa acabamos mesmo sem querer, ficando desconectadas do “mundo exterior” e, um dia seu filho vai crescer e se quer vai lembrar ou dar valor a todos os sacrifícios… (na verdade espero que valorize! Hehe mas não poderei cobrar isso dela, pois foi opção minha!)

Assim como cada escolha que fazemos em nossa vida, temos que aceitar que perdemos aqui e ganhamos ali, com prós e contras. Se iremos nos arrepender um dia, talvez… afinal de contas parece que ao nos tornarmos mãe, imediatamente nos tornamos culpadas. Sim, é estranho mas sentimos culpa por tudo. Acho que, nesse caso só muda de endereço. Se foi trabalhar, sente culpa por não poder estar perto o dia todo. Se optou em ficar em casa, se sente culpada por que, as vezes está tão ocupada com as tarefas do lar que não tem tempo de sentar no chão para brincar, ou ainda, de não ter dinheiro suficiente para comprar uma roupa bonita para enfeitar seu filho ou um brinquedo legal que ele queria tanto. Ou, simplesmente de não ter mais paciência para agir frente a algumas birras, porque já é noite e você já passou o dia todo tentando manter a calma.

As mães são super poderosas, sim, esta é a sensação que eu tenho. A maternidade me tornou  mais segura, mais forte! Afinal de contas, temos que ser, pois é de nós que nossos filhos precisam! E por outro lado tão insegura, será que estou agindo certo? Não estou mimando ou sendo muito rígida?

E temos que estar bem, apesar de todas as tarefas do lar, da escola, do trabalho (que são muitas), temos que estar bem!

“Não conseguimos oferecer ao outro aquilo que não temos” esta é uma frase que persiste na minha cabeça, quando penso que quero fazer minha filha feliz. Para isso primeiro eu tenho que estar feliz! Subestimamos nossas crianças ao pensar que não irão perceber que estamos tristes, elas entendem, e sentem! Se queremos que fiquem felizes, que vivam em paz, harmonia, com respeito, que dialoguem conosco, é assim que temos que agir. Oferecer-lhes a verdade, o diálogo, o amor, o carinho, a paz! O ambiente contagia e as pessoas contagiam! Temos poderes inimagináveis!

Claro que não somos robôs, não estaremos felizes ou sorrindo sempre, acredito que isso até nem seja saudável…hehehe todos temos problemas e dificuldades, porém a nossa vida não pode ser assim, devem ser apenas momentos turbulentos que passam e passam mesmo!

E, principalmente, temos que lembrar que nossos filhos são nossos espelhos e irão refletir aquilo que nós somos. Por isso, o desafio e a jornada são árduos e diários, mas temos que nos esforçar para sermos no mínimo um pouco melhores do que éramos no inicio deste processo de evolução.

Parece difícil, não? Não vem com receita pronta ou manual de instrução. O jeito mesmo é ouvir o coração, saber que ninguém é perfeito, como nós mães poderíamos ser? O jeito é viver sem comparações, o que dá certo em uma família, talvez para outra não de, mas é assim mesmo, somos diferentes e viva a diversidade!

Saber que nunca teremos certeza absoluta de nada, mas que, certamente estamos tentando fazer o melhor que podemos ser!

Sibele Lima